quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Câmaras – Exemplo de gestão neoliberal e anti-social - 1ª parte



A distribuição das principais despesas correntes revela a habitual tendência neoliberal de favorecer a contratação de serviços no exterior, em paralelo com a desvalorização do papel dos trabalhadores camarários. Claro que não houve reduções no número de executivos camarários que, em alguns casos, mais parecem assembleias

Sumário
1 - Despesas correntes – muitas desigualdades
2 - Aquisições de bens e serviços e despesas com pessoal – dinâmicas opostas
2.1 – O recuo da importância da aquisição de bens
2.2 - A ascensão imparável das aquisições de serviços

++++++++++///\\\++++++++++

1 - Despesas correntes – muitas desigualdades

No capítulo das despesas correntes, observa-se uma quase estagnação nos últimos quatro anos considerados depois de crescimento médio de 4.8% em cada um dos sete anos anteriores. 

Entre as suas grandes rubricas salientamos que os encargos com juros e pessoal depois do forte crescimento em 2004/11 regrediram no período seguinte; no primeiro caso, a

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

As transferências estatais para as autarquias e o controlo governamental



A grande dependência das autarquias face às transferências do Estado central é uma forma de controlo. A tradição centralista, mantendo o controlo financeiro da grande maioria das autarquias, evita a regionalização e mostra a sua aversão à democracia


Sumário
1 - A distribuição do produto do saque fiscal
2 - Transferências estatais substituem receitas fiscais autárquicas
3- Receitas fiscais – grandes disparidades na evolução em 2004/15
4 - As transferências da administração central
5 – A dependência das transferências do Estado
6 – Necessidade de um novo modelo de representação

O capitalismo gera, por natureza, desigualdades sociais e regionais, devido à sua paranoia pela acumulação, pela aceitação religiosa de que os mecanismos de mercado tudo resolvem, tudo equilibram, bastando para o efeito que cada pessoa inche de empreendedorismo e seja competitivo; o que só acontece com alguns, nomeadamente

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A desertificação humana e a putrefação do regime



Capitalistas rapaces e uma classe política de arrivistas praticam todas as malfeitorias que promovem a desertificação do território. Se essa desertificação esvazia casas e enche cemitérios o que lhes interessará apresentarem um recenseamento eleitoral com 1.3 milhões de eleitores inexistentes para a jornada nacional de folclore no dia 1 de outubro?

<<<<<<>>>>>> 

1 - A desertificação acelerada do território
2 – As oligarquias e as eleições
3 - A burla do recenseamento
4 - Os fantasmas poderão eleger 66 vereadores

1 - A desertificação acelerada do território

No período 2004/15, a população portuguesa regrediu 187925 pessoas (-0.16% por ano) o que revela uma situação de desastre civilizacional. Um território onde se acumulam factores estruturais de ordem política e económica que promovem baixas taxas de natalidade, emigração e ausência de imigração, não é um território de gente feliz. A felicidade concentra-se em notórias e reduzidas excepções, onde cabem, a classe política

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Union of the European Peoples or nationalism on the loose





We have never been as close as now to the unification of the human species, and it has never been as needed as now; all it takes is to keep globalization and bury capitalism. It is urgent to go on building a Weltanschauung, a cosmic vision that frames the appropriate strategies and tactics.




Contents [1]


1 – Globalization has made the nation-states obsolete

2 – The currently dominating triad

3 – A few ideological instruments for domination

4 – State apparatuses resume themselves to the exercise of fiscal punch and violence

5 – Good reasons to building alternatives

6 – From romantic nationalism to fascism

7 – Nationalism’s and fascism’s social basis

8 – The origins of “leftist” nationalism

9 – From nationalism to fascism takes just a midget’s step

10 – Times are difficult. The exit is narrow and unique



1 – Globalization has made the nation-states obsolete


Globalization and the new technologies gradually unify peoples, ease cultural exchanges, create new entities and remove relevance from the vast majority of nation-states, built since the XVII century onwards through wars that have consolidated on their respective territories national bourgeoisies jealous of

sábado, 29 de julho de 2017

Autarquias, oligarquias e não-democracias




1 - A típica prática anti-democrática do regime
2 - A histórica pulsão centralista dos governos

<<<<<<<<<< || >>>>>>>>>>

Dentro de uns dois meses, no final de múltiplas feiras de venda de promessas que preencherão o resto do verão e com entrada pelo outono, acontecerá mais uma romaria eleitoral, neste caso autárquica. 

No seu rescaldo serão colocados 2086 vereadores camarários, entre os quais 308 serão presidentes, a que se devem acrescentar os membros das assembleias municipais e ainda os executivos e assembleias de freguesia. 

Focando-nos nas câmaras, o que motivará tão luzida coorte de ungidos partidários a concurso? E, tanto empenho e tanto espetáculo?

É a gestão de um património superior a € 41000 M, em 2015, € 6500 M de receitas correntes, das quais € 2500 M chegam transferidos, essencialmente do Estado a

segunda-feira, 17 de julho de 2017

The EU project. Internal devaluation, the euro and the new Viriatos*



There are several false alternatives out there. They lie between austerity and exiting the euro with currency devaluation; between this EU and the nationalistic closure; between the Brussels and the national oligarchs, always within an antidemocratic context.

(continuation coming soon – Union of the European Peoples or nationalism on the loose)


Contents

1 – EU – a project inserted into the capitalistic globalization
2 – The expansions of the 80s and the creation of the first periphery
3 – The fall of the Wall and the narrowing of the political view
4 – The expansion/deepening dilemma
5 – The devaluation of wages, income and rights
   5.1 – Currency devaluation and its consequences
   5.2 – Internal devaluation and its outcomes
6 – Current dangers

 
1 – EU – a project inserted into the capitalistic globalization

The EU project, under the initial generic name of EEC, was a post-war element born of the realization that recovery from the conflict’s devastation demanded a concertation within the noble area of the so-called liberal capitalism – the Occidental Europe and the USA. 

The USA, having avoided the ravages of war and suffered human losses not comparable with those that occurred in Europe – especially in the USSR, in absolute terms, and in Greece, in relative terms – had its production infrastructure unscathed and needed to keep it so, in order to avoid an unemployment crisis caused by demobilization, as had happened in the 30s.  Even within the context of the Cold War it would be necessary to replace part of the military production by consumer goods and equipment and a dismantled Europe was a fertile field in which to apply that policy.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Custos do trabalho na Europa – espelho da exploração e das desigualdades



No mundo de hoje, as ditas vantagens competitivas resultam menos dos baixos custos salariais e muito mais da qualificação, da tecnologia e da capacidade organizativa na produção de bens e serviços. Expliquem isso aos empresários lusos, mais apostados em sujos favores obtidos à custa da carga fiscal sobre o trabalho e o consumo

Sumário

1 – Ligeira introdução sobre economia
2 – Evolução dos custos do trabalho na Europa (2000/16)
3 - Custos laborais na Europa – abordagem alargada e detalhada
3.1 - Indústria
3.2 - Construção
3.3 - Serviços à indústria e comerciais
3.4 - Comércio e reparação de veículos
3.5 - Alojamento e restauração


sábado, 17 de junho de 2017

Social-democracia. Afunda-se ou renova-se? (concl.)



 Primeira parte deste texto aqui


A velha social-democracia mostrou-se totalmente incapaz de fazer frente à crise iniciada em 2008 e ao avanço do fascismo; a nova, também nada veio acrescentar.


A nova social-democracia deixou as vestes leninistas sem perder o seu amor ao capitalismo, restringindo-o ao neoliberalismo dominante; pretende que a democracia de mercado e a apropriação do pote passam a estar legitimados com a sua inserção no aparelho de estado e na animação parlamentar.



3 - A norma política autocrática


Em regra, os regimes políticos atuais, de democracia de mercado, baseiam-se numa segmentação muito clara entre a classe política e a população. Aos primeiros, compete apresentar os candidatos a lugares de representação e aos segundos votar nos membros da classe política, cujas organizações se apresentam como estruturas elitistas, muito hierarquizadas e autoritárias, quer a nível interno, quer face à população; e ocupam as instâncias estatais, sempre que

sábado, 3 de junho de 2017

Social-democracia. Afunda-se ou renova-se? (1ª parte)



A social-democracia tradicional surgiu como fórmula de gestão dos capitalismos nacionais, com o envolvimento dos trabalhadores nessa gestão. Hoje, não passa de uma técnica de gestão política e económica que pouco difere do liberalismo e do conservadorismo.

1 – Uma evolução de tombos para a direita

Os partidos sociais-democratas, originariamente, na primeira vintena do século XX toleravam o capitalismo enquanto se procederia a uma sua transição gradual e pacífica para o socialismo, através de reformas legislativas, no âmbito da chamada democracia representativa, alicerçada em partidos e eleições regulares. 

Prosseguindo a histórica segmentação dos povos entre senhores e servidores, admitiam a necessidade de um escol de benfeitores – uma classe política com a preponderância de sociais-democratas (naturalmente!) – para conduzir as massas ao socialismo. Mais à esquerda,

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Europa, periferias e desastres periféricos

Europa, periferias e desastres periféricos

Sumário

1 – Elementos de enquadramento de um capitalismo subalterno

2 - Continuada quebra da parcela dos rendimentos do trabalho

3 - Cenários de evolução na geopolítica

     a) Desagregação da UE e/ou da zona euro

     b) Exclusão de um Estado da UE e/ou da zona euro

     c) Uma saída portuguesa voluntária da UE/zona euro

++++++++++==++++++++++

1 – Elementos de enquadramento de um capitalismo subalterno

Historicamente, Portugal nunca teve um capitalismo empreendedor, moderno e isso confirma-se hoje, sobretudo depois da safra privatizadora final[1], imposta pela troika e do subsequente desabar do já pequeno sector financeiro detido por portugueses. Após essa forçada “internacionalização” do tecido económico, na aplicação das sempre nebulosas e inacabadas “medidas estruturais”,