sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Como o sistema financeiro captura a Humanidade através da dívida



A dívida, ao tornar-se perpétua constitui uma renda que alimenta o parasitismo capitalista. Quer seja aquela que subscrevemos, quer seja aquela que a classe política nos endossa com o rótulo de dívida pública, por encomenda do sistema financeiro.

Sumário
1 - Da moeda até à dívida e o papel do Estado
2 - Como se constrói a dívida e a sua mansa aceitação
3 - O capitalismo existe, convém não esquecer
4 – O papel dos Estados na engorda do sistema financeiro

sábado, 19 de novembro de 2016

A dívida como troca



Autora: Rosário Caetano
 

Os sacrifícios e jogos que se celebravam nos locais funerários como festas dos mortos produziram finalmente a forma secularizada da religião: a sociedade de trocas.”



Horst Kurnitzky, Estrutura libidinal do dinheiro

Regimes de troca




Se não houvesse troca, não haveria comunidade.” (Aristóteles, Política, 1133b) Os indivíduos sempre trocaram coisas entre si, sempre pediram e ficaram a dever coisas uns aos outros. Se alguém receber alguma coisa do seu vizinho, ao aceitá-la, fica em dívida. Em abono desse vizinho, pagará essa dívida com uma “palavrinha” (o tal “obrigado”) e com outro presente, devolvendo o estado de dívida à outra parte. O objetivo final não é o pagamento total das dívidas, mas sim fortalecer as relações sociais através de um sistema de crédito - dívida e obrigação - baseado na confiança e nos valores da sociabilidade em geral.


sábado, 5 de novembro de 2016

Reestruturar a dívida pública nada resolve na nossa vida



Recentemente, falou-se na Assembleia da República em reestruturação da dívida pública.

No habitual discurso tecnocrático sobre o assunto por parte da classe política, tenta-se manter a plebe ensopada em refrescos gelados carregados de açúcar. Uns defendem o “pagamos obedientemente”[1]; outros preferem um “pagamos obedientemente mas agradecemos uma atençãozinha”[2]

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Economia, capitalismo e revolta – 1



O discurso dominante é economicista, tecnocrático. Fala de competitividade, empregabilidade, PIB, baixos salários e mercado. É altura de se falar de economia política.

1 - O que é a economia?
2 - Os economicistas, os escribas do capitalismo
3 - O mercado e a irrelevância de quem trabalha

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Mais um PERDÃO FISCAL. PERES é a sua graça

As dívidas ao Fisco e à Segurança Social, bem como as esfarrapadas medidas regularizadoras que não resolvem coisa alguma, evidenciam o fracasso de um capitalismo periférico e do regime político cleptocrático que o acompanha.

1 - Trapaças e vigarices tantas vezes repetida deixam de o ser?
2 – O fracasso está garantido
3 - Uma instalada cultura de burla

Já se tornou rotina a ideia de planos de regularização de dívidas ao Fisco e à Segurança Social que incluem perdões [1] . Desta vez é o PERES, há 20 anos foi o Mateus e antes um Catroga; no partido-estado apreciam-se estes nomes, a mimetizar operações militares, para assustar embora não passem de momices. A insistência regular nestes planos é um atestado do seu rotineiro fracasso; e, sobretudo, revela a continuidade das condições socioeconómicas que alimentam a formação daquelas dívidas. Com ou sem crise, com ou sem troika.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

União dos Povos da Europa ou o nacionalismo à solta (a)



Nunca se esteve tão perto da unificação do género humano, nem nunca aquela foi tão necessária; basta manter a globalização e enterrar o capitalismo. É urgente ir criando uma Weltanschauung, uma cosmovisão que enquadre as estratégias e as táticas adequadas.

1 - A globalização tornou obsoletos os estados-nação

A globalização e as novas tecnologias unificam gradualmente os povos, facilitam trocas culturais, criam novas entidades e retiram a relevância à grande maioria dos estados-nação, erigidos a partir do século XVII através de guerras que consolidaram nos respetivos territórios burguesias nacionais ciosas do controlo das suas populações e intratáveis para quem lhes disputasse a respetiva coutada de força de trabalho. Do mesmo modo que os senhores feudais procuravam manter direitos sobre os seus servos ou os donos de escravos procuravam assegurar a posse tranquila daqueles.

No quadro da evolução histórica dos sistemas produtivos importava ao capitalismo aumentar a produtividade reduzindo os custos da submissão da força de trabalho. Para que esse controlo ficasse aceite ou facilitado – e com menor recurso à coerção - utilizaram a escola e o serviço militar para incutir essa coisa historicamente recente, do patriotismo, da exclusão e desconfiança face ao Outro; embora, como nós próprios, o Outro seja de carne e osso, desejando igualmente, a satisfação das mesmas necessidades – paz, pão, liberdade, habitação, saúde, educação e ainda, a pulsão de amar e ser amado. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O PIB, o IMI e outros modos de mercantilização da vida





1 - O mercado, o PIB e a punção fiscal
2 - O banco de ideias de extorsão fiscal
3 - A habitação própria e o ilegítimo IMI
4 - Energias renováveis. Como os Estados se apropriam do sol e do vento
5 - Os latrineiros

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1 - O mercado, o PIB e a punção fiscal

A inclusão no mercado e a contabilização no PIB andam de mão dada com a punção fiscal.
Entre as atividades não incluídas no PIB contam-se os rendimentos encaminhados para offshores e que vão permitindo o bom alojamento do Ricardo Salgado, por exemplo; os rendimentos do crime, dos tráficos vários, de droga, imigrantes, órgãos e mulheres; os rendimentos de trabalhadores pobres, de biscatos, naturalmente não revelados à máquina fiscal; e, finalmente, as economias domésticas, os arranjos, o produto de hortas e galinheiros familiares, totalmente fora da economia de mercado. Tudo isto, em Portugal corresponderá a cerca de 25% do PIB contabilizado.


domingo, 21 de agosto de 2016

O projeto UE. Desvalorização interna, o euro e os novos Viriatos



As falsas alternativas que andam por aí são várias. Entre a austeridade e saída do euro com desvalorização da moeda. Entre esta UE ou o encerramento nacionalista. Entre oligarcas bruxelenses e nacionais, sempre num contexto antidemocrático.

(continuação em breve - União dos Povos da Europa ou o nacionalismo à solta)


1 - UE - um projeto inserido na globalização capitalista
2 – Os alargamentos dos anos 80 e a criação da primeira periferia
3 – A queda do Muro e o afunilamento político
4 - O dilema alargamento/aprofundamento
5 – A desvalorização de salários, rendimentos e direitos
5.1 – Desvalorização da moeda e as suas consequências
5.2 - Desvalorização interna e os seus efeitos
6 – Os perigos do momento


1 - UE - um projeto inserido na globalização capitalista

O projeto UE, sob o nome genérico inicial de CEE, foi um elemento surgido no pós-guerra quando se percebeu que a recuperação das destruições do conflito exigia uma concertação na zona nobre do capitalismo dito liberal – a Europa Ocidental e os EUA.

Os EUA, sem destruições de guerra e com perdas humanas nada comparáveis com as havidas na Europa, - sobretudo na URSS, em termos absolutos e na Grécia, em termos relativos - mantinha a sua estrutura produtiva incólume e precisava de a manter, para evitar que a desmobilização desenvolvesse uma crise de desemprego, como nos anos 30. Mesmo no contexto da Guerra Fria, seria necessário substituir parte da produção militar pela de bens de consumo e equipamento e a desmantelada Europa era um campo fértil para aplicação dessa política.


terça-feira, 9 de agosto de 2016

A propósito do doutoramento honoris coisa do Guterres ou a feira do abat-jour (ver o vídeo)



                                                     … para um momento de diversão estival

Os regimes políticos usam o espetáculo e abusam da coreografia na exata medida em que se revelam opressivos e empobrecedores dos povos. Se há coisa que as classes políticas sabem fazer é aplicar a regra do pão e circo, popularizada pelos antigos romanos. E, hoje, vivendo um feliz concubinato com as cadeias de televisão, injetam circo na plebe com um ritmo e uma variedade que os romanos não tinham; há muitos mais rodriguesdossantos ou gomesferreiras do que os gladiadores que os imperadores romanos podiam ostentar.


quinta-feira, 28 de julho de 2016

SEGURANÇA SOCIAL DISPENSA PECHISBEQUE INTELECTUAL



Observando as notícias de um livro sobre a Segurança Social (SS) coordenado pelo conselheiro de estado Francisco Louçã; recordando um debate promovido em Lisboa, em 2015; e tendo em memória publicações da (também) comentadora da TV Raquel Varela, anos atrás, demonstra-se que a silly season é altura para vulgaridades e superficialidades. O que é pena, pois a grei teria beneficiado mais se a equipa tivesse aproveitado o seu tempo na praia.